terça-feira, 5 de março de 2013

Palestra - Romances estruturados para o mercado editorial

A Livraria Martins Fontes Paulista disponibiliza todo mês uma programação muito boa para quem curte literatura.
Da programação disponível para este mês, pincei um evento muito importante para os escritores iniciantes. Conheço o palestrante e tenho certeza que a pessoa que participar não irá se arrepender. Agora, corra para fazer a sua inscrição, já que as vagas são limitadas.

PALESTRA - ROMANCES ESTRUTURADOS PARA O MERCADO EDITORIAL
Com Felipe Colbert
INFO: 17/3 (domingo), das 14h às 18h
Apoio: Novo Século

Todos os dias centenas de pessoas encaminham seus manuscritos para as editoras na esperança de que seus livros sejam publicados. Mas você sabe exatamente se o seu livro atende a todas as exigências do mercado? Ele foi bem estruturado? Tem qualidades suficientes para interessar a um editor? 
Diferente do que muitos pensam, um livro não é feito somente com uma boa história e uma revisão competente. É preciso mais do que isso, e os segredos não estão tão escondidos quanto você pensa. 
É com este e outros conceitos que você entenderá o que o mercado editorial espera de um autor, terá conhecimento sobre as principais técnicas internacionais de estruturação de textos e construirá um documento que o auxiliará na apresentação do seu manuscrito.
Vagas limitadas! Inscrição: auditorio@martinsfontespaulista.com.br

BIO: Autor de três livros e especialista em estruturação de romances, FELIPE COLBERT possui trabalhos publicados no Brasil e na Europa. Atualmente, além de escrever e publicar seus livros, dedica-se a trabalhar textos ficcionais de novos escritores. Com visão profissional e ímpar, tem como meta potencializar a possibilidade de publicação destas obras. Dentre as funções adquiridas, as de parecerista crítico e coach, utilizando-se de técnicas internacionais de estruturação de textos. O autor também é presente em palestras e organiza workshops. Carioca, vive na cidade de São Paulo com esposa e filho. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Uma nova luz a "Tragédia da Piedade"


Depois que eu assisti novamente no ano passado a minissérie Desejo, produzida e exibida pela Rede Globo no começo dos anos 1990, despertou-me o desejo de conhecer mais profundamente a vida e a obra do escritor Euclides da Cunha, as pessoas que fizeram parte da sua curta vida, bem como entender melhor o episódio que levou a sua morte, chamado de "Tragédia da Piedade". Para tanto, nada melhor que ler um livro escrito por uma historiadora, e não é qualquer historiadora, trata-se da Prof.ª Dr.ª Mary Del Priore.

Os historiadores possuem o preparo de realizarem, com maestria, pesquisas históricas, escarafunchar documentos históricos e refazerem, com sucesso, o passado. E isso não foi diferente em Matar para Não Morrer - A morte de Euclides da Cunha e a noite sem fim de Dilermando de Assis, Ed. Objetiva, que conta com uma ampla pesquisa engendrada pela professora, para trazer mais detalhes sobre a tragédia que abalou o Brasil no início do século XX.

Analisando a bibliografia presente no final do livro, dá para termos uma ideia do trabalho que a professora teve para reunir as informações e elaborar o livro, que traz não só a história da morte do escritor Euclides da Cunha, como detalhes da sua conturbada vida com sua esposa,  Ana Cunha, os seus filhos e os irmãos Dinorah e Dilermando de Assis.

Mas o foco do livro é mesmo a vida do algoz de Euclides da Cunha, o general Dilermando de Assis, jovem que teve um relacionamento com a mulher do escritor culminando numa tragédia que vitimou o autor da obra prima "Os Sertões".

Ao longo do livro, a historiadora também traz acontecimentos nacionais e internacionais contemporâneos a história, que se passa no final do século XIX e início do século XX. Além disso, há a descrição de costumes da época, da política nacional, dos personagens de grande relevância nacional e, principalmente, as características de um Rio de Janeiro que estava num efusivo processo de urbanização.

A professora Del Priore não escreveu o livro para "limpar a barra" de Dilermando, tentando pelo seu texto inocentá-lo do crime que comoveu o país na época, mas sim, fazer um estudo sobre quem foi o algoz da família Cunha e deixar o julgamento para cada leitor, mas algo deve ficar claro. 

O ato tresloucado de Euclides, que foi em busca de Dilermando disposto a matar ou morrer, foi um espelho da sociedade vigente naquela época, algo comum, onde a honra era lavada com sangue. Euclides, não foi exceção numa época em que outros milhares de homens pegaram em armas para tentarem limpar os seus nomes.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Inspeção veicular

O início do governo do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, quase começou com uma baixa na pasta de Verde e Meio Ambiente por causa da famigerada inspeção veicular. O prefeito, procurando cumprir com o prometido na campanha, manifestou o seu interesse de não mais cobrar a taxa de inspeção veicular dos munícipes – hoje no valor de R$47,44 – e a cada dois anos, obrigar os veículos com mais de cinco anos de uso a se submeterem a inspeção. Essas ideias foram totalmente refutadas pelo vereador Roberto Tripoli e pelo seu partido, o PV (Partido Verde) que havia sido o escolhido para assumir a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. Com a sua desistência, foi escolhido o vereador Ricardo Teixeira (PV), mas dias antes da posse do prefeito, também sinalizou desistir do cargo, por discordar das ideias de Haddad referentes à inspeção veicular. Após reuniões Siqueira resolveu aceitar comandar a secretaria.

Os ambientalistas são contra o modelo que o novo prefeito de São Paulo pretende implantar no município. Alegam que, como em outras partes do mundo, a inspeção veicular deve continuar da forma que está, com a obrigatoriedade de todos os veículos passaram pela inspeção a cada ano e que ela deve ser cobrada.

Em partes, sou a favor que haja a inspeção veicular nos moldes do pensado por Haddad, pois um veículo com apenas cinco anos de uso dificilmente irá apresentar problemas com a quantidade de emissão de gases poluidores. Além disso, com a quantidade de impostos pagos por nós, em especial o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), acredito que o governo tem capacidade financeira para isentar os proprietários dos veículos de pagarem uma taxa para passarem por uma vistoria. Já o tempo estipulado de a cada dois anos para que ocorra a inspeção, poderia ser alterado para cada um ano, da forma que está, devido a mudanças que podem ocorrer num veículo durante um ano de uso.

Deve-se ressaltar que além dos veículos paulistanos que percorrem o município, há uma frota flutuante de veículos vindos de outros municípios do estado e do Brasil que entram e saem de São Paulo. Esses, muitas vezes com problemas mecânicos alteram a atmosfera do município, contribuindo ainda mais para o já poluído ar de São Paulo. Portanto, num primeiro momento, defendo a inspeção veicular não só para os paulistanos, mas para todos os outros 644 municípios do Estado, ideia já aventada tempos atrás pelo atual secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas (PSDB).

Num segundo momento, deveria haver uma inspeção abrangendo todos os municípios brasileiros, pois, vale lembrar que a poluição não respeita limites de estados e, além disso, conforme preconiza a Constituição Federal em seu artigo 225 “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Farsantes & Fantasmas, de Antonio Carlos Olivieri

Acostumado a publicar livros paradidáticos e ficcionais infanto-juvenis, dessa vez o escritor Antonio Carlos Olivieri publicou pela Editora Record uma obra ficcional voltada para o público adulto. Trata-se do livro "Farsantes & Fantasmas", lançado em abril de 2012.


A obra é um romance policial escrito de forma divertida que conta os bastidores da produção editorial de um livro. Como todo livro do gênero policial, temos um crime, a figura de um detetive e um suspeito. Mas a tônica do livro não é essa, sendo que esse entrelaçamento entre o crime, o suspeito e o detetive, somente ocorre nos capítulos finais da trama. 

O pano de fundo da história é a vida de Moreira, mais especificamente o seu trabalho como ghost writer (escritor fantasma). Ele é um jornalista que trabalha para um inescrupuloso dono de uma editora, o Zé Augusto Pavão Lobo, e é a partir dessa relação que ocorre o desenrolar da história aonde outros personagens vão surgindo, tais como a sensual Lucila Napolitano, em que Moreira é contratado para "transformar" a sua tese de doutorado num livro; o delegado Lopes Cliff, um sujeito esquisito na aparência, mas infalível na resolução de crimes e o inescrupuloso e cafajeste analista psiquiátrico, Dr. Paul Mahda.

Pavão Lobo sempre contrata o Moreira para que ele escreva livros para sujeitos que possuem desejo de lançar uma obra, mas não tem competência para escrever sequer uma linha. Aproveitando-se disso, Pavão Lobo explora as suas vítimas, desejosas para serem reconhecidas como escritoras e, quem sabe, até ficarem famosas com uma vendagem espetacular dos seus livros. É nesse tipo de negócio que a Editora Pavão Lobo trabalha e tem o Moreira como funcionário número um.

Num desses trabalhos, Moreira conhece Lucila, por quem se apaixona loucamente e também o safado Dr. Paul Mahda, um psiquiatra considerado "das estrelas", por somente atender atrizes, top models, políticos entre outras celebridades. O Dr. Paul Mahda resolve escrever um livro, mas culpa a falta de tempo, que na verdade, conforme as conversas que Moreira tem com o psiquiatra para a produção do livro, percebe que é mais falta de competência dele do que a falta de tempo. A partir desse trabalho é que a vida de Moreira se torna um inferno, envolto numa complexa trama, surpreendente e sórdida, cujo desfecho seria inevitavelmente pontuado com violência e sangue (p. 16).

O livro é bastante atual nessa questão do mercado editorial em que muitos querem ser escritores, mas poucos têm condição de escrever sequer um parágrafo e daí recorrem ao artifício de escritores fantasmas contratado por editoras que somente querem ficar com o dinheiro das vítimas, não primando pela qualidade do livro.

Saliento também a escrita feita de forma satírica, cômica pelo autor, que deixa a história muito mais gostosa de ser lida e, além disso, ressalto o lugar escolhido para o desenrolar dos fatos, que é a cidade de São Paulo. Esse aspecto aproxima ainda mais o leitor, principalmente aquele que mora em São Paulo ou conhece a cidade. Isso leva o leitor a reconhecer os lugares e, inevitavelmente, a ser inserido dentro da história. Ele passa a sentir, a enxergar a sua presença dentro da trama. Bacana!

Acredito que a forma satírica que o escritor conduziu a história, no fundo, acaba tirando um sarro de uma situação muito preocupante nos dias de hoje, que é falta de ética das pessoas.  Creio que o leitor mais atento, rirá com vários trechos da história e também refletirá sobre o universo que o escritor critica no livro.

A leitura é bastante tranquila e rápida e a trama é entendida sem segredos. Isso se deve ao fato da experiência do escritor na formação de leitores, na escrita e na publicação de livros voltados para o público infanto-juvenil. Característica, essa, que implicou também no não aprofundamento dos personagens, tal qual se costuma ocorrer em romances direcionados ao público adulto, mas isso não tira a qualidade, de modo algum, da deliciosa história presente em "Farsantes & Fantasmas".

sábado, 15 de dezembro de 2012

Dois Irmãos, de Milton Hatoum

Todo ano quando a Câmara Brasileira do Livro divulga a lista dos ganhadores do Prêmio Jabuti, uma espécie de "Oscar" da literatura brasileira, com um lápis na mão e um caderninho ao lado, anoto, nas muitas categorias que me interessam, como o nome das obras, dos autores e das editoras ganhadoras.

Está claro que há muito tempo o Jabuti deixou de ser uma referência das obras que possuem qualidade ou não dentro da literatura brasileira, mas acredito que ele nos oferece um ponto de partida para termos contato com obras que possuem, no mínimo, uma boa qualidade literária.

Uma dessas obras que eu anotei lá atrás e somente agora tive tempo de lê-la, foi a obra Dois Irmãos (Ed. Companhia das Letras), do escritor amazonense Milton Hatoum, premiada com o Prêmio Jabuti de melhor romance em 2001.

Fonte: http://gorpacult.blogspot.com.br/2012/09/dois-irmaos-milton-hatoum.html

O livro narra a história da família de Zana e Halim, filhos de imigrantes libaneses que foram, no início do século XX, morar em Manaus. Mas o que o livro foca não é somente a história do casal, mas sim a dos seus dois filhos gêmeos: Omar e Yaqub, com personalidades completamente diferentes e é isso que o autor vai explorar muito bem ao longo do livro. Por questão de segundos Yaqub nasceu primeiro do que Omar, ficando o último, com o título de Caçula e foi justamente esse o seu apelido.

A história é contada em primeira pessoa por um personagem que somente terá o seu nome revelado nos últimos capítulos. Ele, sendo filho de Domingas - uma índia que trabalhava como empregada na casa - acompanhou todos os acontecimentos que ocorreram na família, principalmente o conflito entre Yaqub, o filho estudioso e responsável e Omar, o mulherengo, aproveitador, bagunceiro e que gostava de festas e atividades ilícitas. Esse conflito, muito bem retratado pelo autor ao longo de doze capítulos, que leva a decadência da família.

O autor não conta a história de forma linear, ele faz o uso de flashback, um diálogo com o presente e o passado. A linguagem usada é simples e acessível. Frases curtas imprimem no texto um ritmo intenso tornando a história dinâmica. Isso faz com que cada cena ocorra rapidamente sendo trocada logo em seguida por outra. Esse artifício deixa o leitor preso na narrativa na ansiedade dele verificar o que ocorrerá em seguida com um personagem ou como será o fim de uma situação.

O que me chamou a atenção foi o poder de descrição do autor. Há uma riqueza de detalhes em cada cena, que leva o leitor, enquanto lê, a criar em sua mente a imagem dos ambientes e situações tão bem descritas pelo autor. Pesquisando na internet,  logo essas imagens sairão das cabeças dos leitores e estamparão a tela televisão, pois a Rede Globo pretende transformar o livro de Hatoum numa minissérie, que contará com nada mais nada menos, com o ator Wagner Moura, interpretando um dos gêmeos.

Dois Irmãos é um drama que me emocionou do começo ao fim. É interessante lermos a história de uma família, desde a sua formação até a sua decadência. Acabamos por nos tornamos íntimos dos personagens. Analisamos os conflitos, refletimos sobre as escolhas de cada membro, comemoramos os sucessos obtidos e choramos as derrotas conquistadas. Somente um livro bem escrito como esse tem guarda o poder de nos tornarmos membros de uma família que não é a nossa.

sábado, 8 de dezembro de 2012

E-book "1º Concurso Cultural Cranik"



Recentemente o escritor paulistano Ademir Pascale, promoveu o 1º Concurso Cultural Cranik, que recebeu mais de 80 contos, sendo que desses, somente 11 foram selecionados para comporem um livro em formato digital.

Já está disponível o e-book que reúne os 11 contos fantásticos (terror, fantasia e ficção científica) selecionados no Concurso.

Tive a alegria de conquistar a 6ª colocação com o conto de ficção científica "A Mente Eterna", que narra a história de Kevin, um cientista que descobriu que tinha uma doença degenerativa. Com a iminência do seu fim, iniciou um projeto para transferir a sua mente para um robô. Isso seria uma possibilidade de vencer a morte e continuar ao lado da sua esposa, mas ele guardava outras intenções não tão nobres com o revolucionário projeto.

O livro está disponível de forma gratuita. Para fazer o download, clique aqui.

Espero que gostem do livro e, principalmente do meu conto.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Entrevista concedida para o site "Sombrias Escrituras"

Conforme postagem anterior, no dia 24 de novembro ocorreu na Livraria Devir, em São Paulo, o lançamento do livro "Sombrias Escrituras - Vol. 1", publicado pela Editora Literata e organizado pelo escritor Sr. Arcano, pseudônimo do escritor carioca Alexandre Souza.

Na ocasião, concedi uma pequena entrevista para o site Sombrias Escrituras, aonde tive a oportunidade de contar um pouco sobre o processo de escrita do meu conto "Boa Noite, Charles", presente no livro. Confira abaixo:


Vale lembrar que o livro já está a venda com frete grátis para todo o Brasil. Para comprá-lo, clique aqui.